sábado, 6 de dezembro de 2008

Obsessão - o Passe - a Doutrinação

Informações Preliminares
A obsessão caracteriza-se pela acção de entidades espirituais inferiores sobre o psiquismo humano. Kardec distinguiu, nas suas pesquisas, três graus do processo obsessivo: obsessão simples, subjugação e fascinação. No primeiro grau a infestação espiritual atinge a mente, causando perturbações mentais; no segundo grau amplia-se aos centros da afectividade e da vontade, afectando os sentimentos e o sistema psicomotor, levando o obsidiado a atitudes e gestos estranhos e tiques nervosos; no terceiro grau afecta a própria consciência da vítima, desencadeando processos alucinatórios.
As causas da obsessão decorrem de vários factores, dos quais os mais frequentes são: problemas reencarnatórios, tendências viciosas, egoísmo excessivo, ambições desmedidas, aversão a certas pessoas, ódio, sentimentos de vingança, futilidade, vaidade exagerada, apego ao dinheiro e assim por diante. Essas disposições da criatura atraem espíritos afins que a envolvem e são aceitos por ela como companheiros invisíveis. Os espíritos obsessores não são os únicos culpados da obsessão. Geralmente o maior culpado é a vítima.
Na Antiguidade a obsessão era tratada com violência. As práticas do exorcismo, até hoje vigentes no Judaísmo e no Catolicismo, destinam-se a afastar o demónio de maneira agressiva e violenta. No Espiritismo o método empregado é o da persuasão progressiva do obsessor e do obsidiado. É o que se chama de doutrinação, ou seja, esclarecimento de ambos à luz da Doutrina Espírita. Não se usa nenhum ingrediente especial. Emprega-se apenas a prece e a conversação persuasiva. Esclarecido o obsidiado, atinge-se o obsessor, que ficam, por assim dizer, vacinados contra novas ocorrências obsessivas.
Obsessão
O que é a Obsessão?
Orientação para o tratamento dos casos de obsessão
1 - O sentido da vida
Porquê e para que vivemos? A resposta a esta pergunta é de importância para compreendermos o problema da obsessão. Segundo o Espiritismo, vivemos para desenvolver as potencialidades psíquicas de que todos somos dotados. A nossa existência terrena tem por fim a transcendência, ou seja, a superação constante da nossa condição humana. Desde o nascimento até ao nosso último dia passamos pelas experiências que desenvolvem as nossas aptidões inaptas, em todos os sentidos. A criança recém-nascida cresce dia a dia, desenvolve o seu organismo, aprende a comunicar-se com os outros, a falar e a raciocinar, a querer e a agir para conseguir o que quer. Transcende a condição em que nasceu e passa para as fases superiores da infância, entrando depois na adolescência e depois na mocidade, na madureza e na velhice. Ao fazer todo este trajecto ela desenvolveu suas forças orgânicas e psíquicas, a sua afectividade, a sua capacidade de compreender o que se passa ao seu redor e o seu poder de dominar as circunstâncias. Isso é transcender, elevar-se acima da condição em que nasceu. É para isso que vivemos. E isso nos mostra que o sentido da vida é a transcendência.
Hoje, a Filosofia Existencial sustenta esse mesmo princípio no campo filosófico. Os existencialistas consideram o homem como um projecto, ou seja, um ser projectado na existência como uma flecha em direcção a um alvo, que é a transcendência. Mas no Espiritismo as existências são muitas e sucessivas, de maneira que em cada existência terrena atingimos um novo grau de transcendência. As pesquisas parapsicológicas actuais sobre a reencarnação confirmam esse princípio. O facto de vivermos muitas vidas na Terra, e não apenas uma, mostra que temos no inconsciente uma armazenagem de lembranças e conhecimentos, aspirações, frustrações e traumas muito maior que a descoberta por Freud.
É bom anotar na memória este dado importante: quando Kardec descobriu as manifestações do inconsciente, através de suas pesquisas sobre os fenómenos anímicos, Freud tinha apenas um ano de idade. Isso não desmerece Freud, que não conhecia as pesquisas de Kardec, mas prova-nos a segurança das pesquisas espíritas do psiquismo humano. A concepção espírita da vida humana na Terra não é imaginária, mas real, baseada em pesquisas científicas. Os que consideram o Espiritismo como uma doutrina supersticiosa, gerada pela ignorância, revelam ser mais ignorantes do que poderiam pensar de si mesmos. A Doutrina Espírita está hoje comprovada cientificamente pelos cientistas mais avançados. Dizemos isto para mostrar aos leitores que o sentido da vida, a que nos referimos, não é uma hipótese, mas uma realidade. Se não compreendermos que a vida é transcendência, crescimento, elevação e desenvolvimento constante e comprovado do ser espiritual que somos, não poderemos encarar com naturalidade o problema da obsessão e lutar para resolvê-lo.
2 - As dimensões da vida
O avanço actual da pesquisa científica no mundo, com a descoberta da antimatéria, do corpo-bioplásmico dos seres vivos (perispírito, segundo o Espiritismo), dos fenómenos paranormais e da sobrevivência humana após a morte física, bem como das comunicações mentais entre vivos e mortos (fenómenos théta da Parapsicologia) confirmou a descoberta espírita das várias dimensões da vida. Essas dimensões correspondem a diversas densidades da matéria, que permitem a existência dos mundos interpenetrados da teoria espírita.
A descoberta de que o pensamento e a mente não são físicos, mas extrafísicos (segundo a definição do Prof. Rhine) e semi-materiais, segundo o Espiritismo, demonstrou a realidade dos diferentes planos de vida, habitados por seres humanos em diferentes graus de evolução. A reencarnação e as comunicações mediúnicas tornaram-se necessárias nesse contexto dinâmico em que não há lugar para o nada. A transcendência humana realiza-se nos planos sucessivos, que vão desde o plano da matéria densa da Terra até aos planos de matéria rarefeita que escapam aos nossos sentidos materiais. Não há mais lugar para a concepção materialista absoluta na cultura científica e filosófica do nosso tempo.
3 - Freud e Kardec
Muitos psicólogos e psiquiatras acusam o Espiritismo de invadir os seus domínios científicos nos casos de perturbações mentais e psíquicas. Desconhecendo a Doutrina Espírita e a sua história, não sabem que se deu exactamente o contrário. Afirmam que a Obsessão é uma perturbação decorrente de desequilíbrios endógenos, ou seja, das próprias estruturas psico-mentais do paciente em relação com os factores ambientais. Atribuem quase tudo à constituição do paciente, a disfunções orgânicas e particularmente cerebrais ou afectivas. O inconsciente é geralmente a sede de todos os distúrbios psíquicos. Entendem que os espíritas confundem os fantasmas imaginários gerados por manifestações patológicas do paciente com fantasmas reais das mais antigas superstições mágicas e religiosas da Humanidade. Acham que o Espiritismo representa um processo de volta ao mundo da superstição.
Freud tinha apenas um ano de idade quando Kardec levantou o problema do inconsciente em termos científicos, nas suas pesquisas dos fenómenos espíritas, hoje chamados cientificamente de paranormais. Kardec foi mais fundo do que Freud no assunto, atingindo o problema dos arquétipos individuais e colectivos, que somente Adler e Jung iriam pesquisar mais tarde. Na pesquisa do problema do animismo nas manifestações mediúnicas e das infiltrações anímicas em manifestações reais, Kardec acentuou devidamente a importância das manifestações do inconsciente no comportamento individual e colectivo. Freud encarou a questão dos sonhos nos limites da sua doutrina. Kardec, durante nada menos de doze anos, já havia realizado intensivas pesquisas de psicologia experimental (pioneirismo absoluto nesse campo) na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Hoje, as pesquisas parapsicológicas, realizadas nos maiores centros universitários de todo o mundo, comprovam inteiramente o acerto de Kardec.
Damos essas informações históricas unicamente para que as vítimas de obsessões e os familiares por elas responsáveis não se deixem levar por enganos fatais em casos difíceis de obsessão. A Ciência Espírita não se opõe às Ciências Materiais em nenhum campo, tentando apenas ajudá-las com a necessária complementação das suas pesquisas e conquistas próprias. É fácil verificar a verdade destas informações na simples consulta às obras de Kardec, incluindo-se os relatos sobre obsessões e desobsessões em seus trabalhos publicados na coleção da Revista Espírita, hoje inteiramente traduzida e publicada na nossa língua.
4 - Inconsciente e memória subliminar
Dos trabalhos de Kardec resultaram as pesquisas psíquicas do século XIX, a Ciência Psíquica Inglesa, a Metapsíquica Francesa de Richet, as pesquisas do automatismo psicológico de Pierre Janet, Psicobiofísica de Schrenk-Notzing, a Física Transcendental de Friedrich Zollner, na Alemanha e a Parapsicologia actual. Resultou também o famoso livro de Frederic Myers A Personalidade Humana e a sua Sobrevivência, com a colaboração científica de Henri Sidgwrich e Edmund Hurney. Esse livro coloca o problema das duas consciências, a supraliminar, voltada para os problemas existenciais, e a subliminar, voltada para a transcendência e a vida de após morte. A percepção paranormal pertence à consciência subliminar, que equivale, na Psicanálise, ao Inconsciente. Explica-se o Génio pelo afloramento de conteúdos subliminares na consciência supraliminar, provocado por percepções extra-sensoriais. Esses afloramentos podem ser também de ideias negativas, perturbando o comportamento actual. No Espiritismo isso se liga à teoria platónica da reminiscência, são resíduos de experiências vividas em outras vidas. As pesquisas de Albert De Rochas sobre a reencarnação, no século passado, e as pesquisas parapsicológicas actuais confirmam a tese espírita. É bastante clara a diferença entre esses afloramentos anímicos (da própria alma do médium) e os casos típicos de manifestação de espíritos.
5 - Infecção e infestação
Não só no plano psicológico se verificam as obsessões, mas também na patologia geral. Sintomas de doenças infecciosas são transmitidos por entidades espirituais enfermiças a pessoas sãs. Para fazer a distinção, adoptou-se no Espiritismo o termo infestação para designar essas doenças fantasmas, que tanto podem ser de origem anímica como espirítica. Fortes impressões e temores podem ocasionar a sintomatologia-fantasma. Nos casos de infestação verifica-se o processo indutivo dos vasos comunicantes: o espírito transfere à vítima, geralmente sem o saber, os sintomas da doença que o levou à morte e que persistem no seu perispírito ou corpo espiritual. A prova científica, objetiva, da existência desse corpo espiritual foi feita na França por Raul de Motyndon, na primeira metade do século e actualmente por físicos, biofísicos e biólogos soviéticos, na universidade de Kirov, na URSS, que deram ao referido corpo a designação do corpo-bioplásmico. Kardec pesquisou o problema, no seu tempo, confirmando a hipótese da infestação por meio do tratamento e cura dos pseudo-doentes com o simples afastamento das entidades enfermiças infestadoras. O Dr. Karl Wikland, nos Estados Unidos, comprovou também o fenómeno pelo espaço de três décadas, expondo os resultados, minuciosamente, no livro Trinta Anos Entre Os Mortos. Em sua famosa clínica de Chicago, o Dr. Wikland conseguiu êxitos surpreendentes. A pseudodoença de centenas de pacientes, cansados de percorrer consultórios e clínicas, estagiando inutilmente em hospitais especializados, encontravam a solução para os seus casos. E ele não era, propriamente, um médico espírita. Era apenas um médico estudioso e pesquisador, que tivera a ventura de casar-se com uma jovem dotada de grande sensibilidade mediúnica. Os casos relatados no seu livro revelam a riqueza dos fenómenos com que ele se defrontou no seu trabalho médico. O seu caso não é único, foi apenas um entre milhares que ocorreram e ocorrem no mundo. Mencionamo-lo aqui porque foi um dos mais positivos e importantes.
6 - O tratamento mediúnico
O tratamento mediúnico não segue uma regra única. Varia de acordo com a natureza dos casos e as condições psicológicas específicas dos pacientes. Deve sempre ser feito sob orientação médica, mas de um médico que tenha suficiente conhecimento da doutrina. Sem esse conhecimento, muitos médicos-médiuns extraviaram-se em práticas que a pesquisa espírita já demonstrou serem inúteis e portanto desnecessárias, servindo apenas para dar ao tratamento racional aspectos supersticiosos. Todo o tratamento mediúnico deve ser gratuito, segundo a prescrição de Kardec, pois depende estritamente do auxílio espiritual. Os espíritos não cobram os seus serviços e não gostam que cobrem por eles. Por isso, deve ser realizado em instituições doutrinárias, em que médicos servem, como espíritas que possuem conhecimentos médicos, excluindo-se o profissionalismo. O serviço espírita é de abnegação, é o pagamento que médiuns e médicos fazem a Deus, através do sofrimento humano por eles aliviado, do muito que diariamente recebem do amparo divino. Os que não compreendem isto, deixando-se levar pela ganância, acabam fatalmente subjugados pelos espíritos inferiores.
A pureza de intenções de médiuns e médicos é a única possível garantia da eficácia do tratamento mediúnico. Como assinalava Kardec, o desprendimento dos interesses terrenos é a primeira condição do interesse dos Espíritos Superiores pelo nosso esforço em favor do próximo.
7 - A cura da obsessão
Você é um ser humano adulto e consciente, responsável pelo seu comportamento. Controle as suas idéias, rejeite os pensamentos inferiores e perturbadores, estimule as suas tendências boas e repila as más. Tome conta de si mesmo. Deus concedeu a jurisdição de si mesmo, é você quem manda em você nos caminhos da vida. Não se faça de criança mimada. Aprenda controlar-se em todos os instantes e em todas as circunstâncias. Experimente o seu poder e verá que ele é maior do que você pensa.
A cura da obsessão é uma autocura. Ninguém pode livrar você da obsessão se você não quiser livrar-se dela. Comece a livrar-se agora, dizendo a você mesmo: sou uma criatura normal, dotada do poder e do dever de dirigir a mim mesmo. Conheço os meus deveres e posso cumpri-los. Deus me ampara.
Repita isso sempre que se sentir perturbado. Repita e faça o que disse. Tome a decisão de se portar como uma criatura normal que realmente é, confiante em Deus e no poder das forças naturais que estão no seu corpo e no seu espírito, à espera do seu comando. Dirija o seu barco.
Reformule o seu conceito de si mesmo. Você não é um pobrezinho abandonado no mundo. Os próprios vermes são protegidos pelas leis naturais. Por que motivo só você não teria protecção? Tire da mente a ideia de pecado e castigo. O que chamam de pecado é o erro, e o erro pode e deve ser corrigido. Corrija-se. Estabeleça pouco a pouco o controle de si mesmo, com paciência e confiança em si mesmo.
Você não depende dos outros, depende da sua mente. Mantenha a mente arejada, abra suas janelas ao mundo, respire com segurança e ande com firmeza. Lembre-se dos cegos, dos mudos e dos surdos, dos aleijados e deficientes que se recuperam confiando em si mesmos. Desenvolva a sua fé. Fé é confiança. Existe a Fé Divina, que é a confiança em Deus e no Seu Poder que controla o Universo. Você, racionalmente, pode duvidar disso? Existe a Fé Humana, que é a confiança da criatura em si mesma. Você não confia na sua inteligência, no seu bom senso, na sua capacidade de acção? Você se julga um incapaz e se entrega às circunstâncias deixando-se levar por ideias degradantes a seu respeito? Mude esse modo de pensar, que é falso.
Quando vier às reuniões de desobsessão, venha confiante. Os que o esperam estão dispostos a auxiliá-lo. Seja grato a essas criaturas que se interessam por você e ajude-as com a sua boa vontade. Se você fizer isso, a sua obsessão já começou a ser vencida. Não se acovarde, seja corajoso.
8 - Roteiro da desobsessão
1. Ao acordar, diga a si mesmo: Deus me concede mais um dia de experiências e aprendizado. É fazendo que se aprende. Vou aproveitá-lo. Deus me ajuda. (Repita isso várias vezes, procurando manter essas palavras na memória. Repita-as durante o dia).
2. Compreenda que a obsessão é um estado de sintonia da sua mente com mentes desequilibradas. Corte essa sintonia ligando-se a pensamentos bons e alegres. Repila as ideias más. Compreenda que você nasceu para ser bom e normal. As más idéias e os maus pendores existem para você vencê-los, nunca para se entregar.
3. Mude a sua maneira de encarar os semelhantes. Na essência, somos todos iguais. Se ele está irritado, não entre na irritação dele. Ajude-o a reequilibrar-se, tratando-o com bondade. A irritação é sintonia de obsessão. Não se deixe envolver pela obsessão do outro. Não o considere agressivo. Certamente ele está sendo agredido e reage erradamente contra os outros. Ajude-o que será também ajudado.
4. Vigie os seus sentimentos, pensamentos e palavras nas relações com os outros. O que damos, recebemos de volta.
5. Não se considere vítima. Você pode estar sendo algoz sem perceber. Pense nisso constantemente, para melhorar as relações com os outros. Viver é permutar. Examine o que você troca com os outros.
6. Ao sentir-se abatido, não entre na fossa. É difícil sair dela. Lembre-se de que você está vivo, forte, com saúde e dê graças a Deus por isso. Seus males são passageiros, mas se você os alimentar eles durarão. É você que sustenta os seus males. Cuidado com isso.
7. Frequente a instituição espírita com que se sintonize. Não fique pulando de uma para outra. Quem não tem constância nada consegue.
8. Se você ouve vozes, não lhes dê atenção. Responda simplesmente: Não tenho tempo a perder. Tratem de se melhorar enquanto é tempo. Vocês estão a caminho do abismo. Cuidem-se. E peça aos Espíritos Bons, em pensamento, por esses obsessores.
9. Se você sente toques de dedos ou descargas elétricas, repila esses espíritos brincalhões da mesma maneira e ore mentalmente por eles. Não lhes dê atenção nem se assuste com esses efeitos físicos. Leia diariamente, de manhã ou à noite, ao deitar-se, um trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo e medite sobre o que leu. Abra o livro ao acaso e não pense que a lição é só para você. Geralmente é só para os obsessores, mas você também deve aproveitá-la. No caso de visões a técnica é a mesma. Nunca se amedronte. É isso que eles querem, pois com isso se divertem. Esses pobres espíritos nada podem fazer além disso, a menos que você queira brincar com eles, o que lhe custará seu aumento da obsessão. Corte as ligações que eles querem estabelecer com você, usando o poder da sua vontade. Se fingirem ser um seu parente ou amigo falecido, não se deixe levar por isso. Os amigos e parentes se comunicam em sessões regulares, não querem perturbar.
10. Leia o livro de Allan Kardec Iniciação Espírita; mas de Kardec, não outros de autores diversos, que fazem confusões. Trate de estudar a Doutrina nas demais obras de Kardec.
11. Não se deixe atrair por macumbas e as diversas formas de mistura de religiões africanas com as nossas crendices nacionais. Não pense que alguém lhe pode tirar a obsessão com as mãos. Os passes têm por finalidade a transmissão de fluidos, de energias vitais e espirituais para fortificar a sua resistência. Não confie em passes de gesticulação excessiva e outras fantasias. O passe é simplesmente a imposição das mãos, ensinada por Jesus e praticada por Ele. É uma doação humilde e não uma encenação, dança ou ginástica. Não carregue amuletos nem patuás ou colares milagrosos. Tudo isso não passa de superstições provindas de religiões das selvas. Você não é selvagem, é uma criatura civilizada capaz de raciocinar e só admitir a fé racional. Estude o Espiritismo e não se deixe levar por tolices. Dedique-se ao estudo, mas não queira saltar de aprendiz a mestre, pois o mestrado em espiritismo só se realiza no plano espiritual. Na Terra somos todos aprendizes, com maior ou menor grau de conhecimento e experiência.
9 - Psiquiatria e Espiritismo
O conflito entre Psiquiatria e Espiritismo tomou vulto entre nós, em virtude do crescimento do movimento espírita. O preconceito religioso influi muito na questão, estimulando o preconceito científico. Mas as últimas conquistas das Ciências abriram uma perspectiva de trégua. Na proporção em que o conceito de matéria se pulverizou nas mãos dos físicos e atingiu o plano da antimatéria, verificou-se uma nova revolução copérnica no tocante à concepção do homem. Coube a um famoso psiquiatra norte americano, Ian Stevenson, dar novo impulso às pesquisas sobre a reencarnação. Na URSS o psiquiatra Wladimir Raikov, da Universidade de Moscovo, reconheceu o fenómeno de lembranças de vidas anteriores e iniciou pesquisas a respeito, partindo do pressuposto de sugestões telepáticas. Hoje há grande número de psiquiatras espíritas, o que estabelece o diálogo entre os campos opostos.
As pesquisas parapsicológicas com débeis mentais deram razão à tese espírita da distinção entre cérebro e mente. Os débeis mentais agem no plano de psi (fenómenos paranormais) em igualdade de condições com as pessoas normais. Isso parecia mostrar que a debilidade era apenas cerebral e não mental. Quando Rhine sustentou a natureza extrafísica da mente, que Vassiliev tentou refutar sem consegui-lo, o problema tornou-se mais claro. Muitos enigmas da Psiquiatria tornaram-se mais facilmente equacionáveis para uma solução. Entre eles, talvez o mais complexo, que é o da Esquizofrenia. Certos casos de amnésia, em que os pacientes substituem a memória actual por outra referente a uma possível vida anterior, lançaram nova luz sobre o intrincado problema.
A divisão da mente, a diluição da memória, o afastamento da realidade parecem denunciar uma espécie de nostalgia psíquica que determina a inadaptação do espírito à realidade actual. Teríamos dessa forma um caso típico de auto-obsessão nas modalidades variáveis da Esquizofrenia. Os casos agravam-se com a participação de entidades obsessoras geralmente atraídas pelo estado dos pacientes. Eles encontravam-se em estado de ambivalência e são forçados a optar pelo passado ante a pressão obsessiva. Este é mais um facto favorável à prática da desobsessão. Psiquiatria e Espiritismo podem ajudar-se mutuamente, ao que parece num futuro bem próximo. Não há razão para condenações psiquiátricas actuais dos processos espíritas de cura dos casos de obsessão.
10 - Tratamento médico
Deve também haver uma orientação médica, tendo ou não o profissional conhecimento da Doutrina. (De qualquer modo ele não poderá utilizar profissionalmente as armas que o Espiritismo lhe pode colocar nas mãos, pois o Código de Ética Médica o impede, com justa razão, no actual estado dos conhecimentos e dos determinantes culturais actuantes na maioria dos países. Os médicos que sejam espíritas não podem instituir um “tratamento espírita”, mas obviamente podem, quando solicitados, calcados em suas convicções filosóficas, opinarem sobre a situação vivencial de amigos e pacientes).
Os que se propõem a orientar os obsidiados no processo da sua libertação devem ter conhecimento da Doutrina solidamente estabelecido, em vivência e em conhecimento teórico, a fim de que os processos doutrinários não se percam em práticas que a pesquisa espírita demonstrou serem inúteis e, portanto, desnecessárias, servindo apenas para dar ao tratamento racional aspectos supersticiosos. Todo o tratamento mediúnico deve ser gratuito, segundo a recomendação de Kardec, pois depende estritamente do auxílio espiritual. Os espíritos não cobram pelos seus serviços e não gostam que cobrem por eles. Por isso deve ser realizado em instituições doutrinárias, a nosso ver com duas características:
• orientação externa: os que necessitam vêm periodicamente à instituição, recebem a orientação preconizada e participam das práticas que a Doutrina estabelece, até ao seu reequilíbrio. (E obviamente a instruções complementares)
• orientação interna: em instituições psiquiátricas mantidas por ou com participação de espíritas. Nestas, o tratamento médico cabível seria instituído como em qualquer hospital, e a orientação e as práticas que a Doutrina estabelece seriam iniciadas com o consentimento das famílias ou dos pacientes como uma praxe filosófico-religiosa independente da orientação médica (Note-se, nem associada, nem paralela, mas independente, para não ferir o Código de Ética Médica, como foi exposto acima), o que não pode ser criticado, desde que assim seja feito, pois é questão de foro íntimo, onde ninguém deve interferir.
A pureza das intenções dos médiuns e coordenadores das reuniões desobsessivas é a única possível garantia da eficácia da orientação mediúnica. Como assinalava Kardec, o desprendimento dos interesses terrenos é a primeira condição do interesse dos Espíritos Superiores, pelo nosso esforço em favor do próximo.
J. Herculano Pires in

Obsessão - o Passe - a Doutrinação

2 comentários:

luizir disse...

Muito boas as explicações,muito coerentes e realistas,estou muito grato.

Anónimo disse...

Quando Freud nasceu, Kardec tinha 50 anos..